teimo em ti
minha menina teimosa
linda em teu tema
estranho a mim
que o conheço muito porém
teimo em ti
ternura brava
esguia carinhosa e triste
tristeza nossa, tu e eu
melancolia que nos é bálsamo
amálgama de nosso amor
quanto mais forte
mais quanto nos amamos
sou teimoso em teimar-te em mim
é que meu amor teima em manter-te assim
difícil parceira, teimosia salvadora, simbiótica em meus horrores
somos cada um
um lenço de lágrimas
às lágrimas do outro
e um terço de paixão
rezado em comunhão
por mim e por ti
à deusa vaga e bela
à sua certeza, dela
que teima em nos teimar
com a certeza da dúvida
em nosso amor
da sua eternidade certa
por isso
teimo em ti
eternamente
2.22.2009
Teimo em ti
5.16.2008
3.17.2008
A Farpa
Um cavaco; filho do atrito. Uma nesga de pau; filha de podre. Aí ovulou mais um espírito atormentado; este, que agora renasce literado. João.
Até aqui, não merecia. Ainda não produzira alcalóides, hormônios, enzimas daquelas que alimentam espaços entre palavras. Até aqui, só leveza leve, beleza leve, pureza leve, natureza natural, bonita e pura. Que não costumam render literaturas.
Mas a farpa.
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João mantinha vida fácil. Daquelas facilidades de que carecem os desiludidos. Vinha petecando de leve alguma felicidade, se isto é palavra que se use. Trinta e dois anos, casado sem amor, ainda amuando; empregado sem dom, ainda domando; dois filhos sem paternidade. Comia rodelas de batata frita com TV, sustentando suspiros, porque sem amargura, adorando quedas de pescoço dos cochilos, porque nunca insone. Beijava a mulher na testa, os filhos nem; usava canetas até o fim, não arrotava.
Nesta tarde, acordou para o conto: percebeu a pequena queloide na lateral do dedo anular direito. Cicatriz minúscula; dos treze anos, concentrou lembrança. O batente do banheiro: passava a mão correndo, tangenciando a saída, toda vez; naquela, lascou-se a lasca no dedo, picada fugaz, como a lambida, e dezenove anos...
João, nesta tarde, morreu sua pureza. À luz um personagem. Mais um batman se carcomendo em devaneio.
Primeira manhã de sua vida, ralhou com a mulher pela missa na TV, domingo. Estalou dentes de ódio, depois da mosca tomada com café. Porém, só não poupou a si da pergunta que lhe oxidava as têmporas - palavras bem marcadas, como acompanhadas cada uma de uma abaixada ríspida de cabeça, de pisões silábicos enfatizando-as: Eu-Não-Dei-Nunca-A-Menor-Importância-Àquela-Farpa-Àquela-Porta-Àquela-Mão-Àquele-Banheiro. Aquilo-Não-Marcou-Minha-Vida. Por quê?!
Pronto, tá lá uma alma estendida no vão. No vão da porta do banheiro, vão do dedo de treze anos. Enfim, o vão; da vida, do João. O vão do verbo.
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Na página, João poderia acabar seu idílio vagando depósitos de entulho, demente, buscando o batente. Ou o contista jogaria trocadilhos do anular do dedo com o da vida, com elos partidos dalguma corrente psicológica; ou do batente com o trabalho. Talvez aludir a arquétipos de filho, ligando infância a paternidade; de casa, banheiro familiar: desarranjo doméstico. Sangue, mão, Freud, pós-modernidade, andropausa... Que tal enfoque fantástico, dadaísta, metafísico ou genético?
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Por favor, olhe suas mãos.
3.10.2008
Bilhete amoroso 1 - Do cotidiano
Quem dera escrever bonito para dizer quão tristes são as manhãs em que não ouço seus gritos. E dizer, de maneira elegante, que sentiria sua falta - ainda que nos faltasse o fogo dos amantes.
2.29.2008
Estacaria
es.ta.ca.ri.a
s. f. 1. Grande porção de estacas. 2. Dique ou represa feitos de estacas. 3. Alicerce feito de estacas.
ver: es.ta.ca.da
s. f. 1. Série de estacas. 2. Lugar cercado por estacas. 3. Tranqueira. 4. Lugar fechado para brigas ou torneios. 5. Curral, estábulo (para o gado). 6. Tapume de estacas; paliçada
Para Nos Obrigar A Escrever